Entrevistando um estagiário: “quero ser policial civil”

O que faz um jovem nos dias atuais aspirar à carreira policial civil? Muito provavelmente o que viu nas séries e filmes, só. Os jovens sabem pouco sobre muita coisa, tem muita pressa e pouca paciência. Já fui jovem também.

As séries e filmes, principalmente as de hollywood, nos levam a um mundo de ação e adrenalina. No final, após muitos tiros e explosões, perícias e laudos instantâneos, o criminoso é preso ou morto. O bem sempre vence o mal.

Mas na polícia investigativa da vida real não é assim. Digo polícia investigativa, polícia civil, porque existem grandes diferenças entre as polícias, o que o candidato a estágio na Delegacia, em sua entrevista, não soube muito bem explanar.

Na entrevista ele disse que queria muito ser policial civil, ser investigador. Eu disse que queria muito que ele não se assustasse com o que iria encontrar.

Na entrevista eu disse a ele que a vida numa Delegacia é muito mais silêncio com café, papel com estratégia. Ele disse que gostava de ler e escrever. Mentira detectada.

Na entrevista ele disse que trabalhava muito no último emprego. Eu disse que ele deveria esquecer tudo isso e se preparar para trabalhar 3 vezes mais.

Na entrevista eu disse que os dias numa Delegacia são imprevisíveis, e que um dia nunca é igual ao outro. Ele gostou.

Na entrevista eu disse que a investigação dos filmes e séries é uma versão fantasiosa e infiel à realidade, mas que uma fração daquilo poderia ser vivido sim.

Ao final, disse a ele com a postura de um policial corregedor que para ser efetivado como estagiário em nossa Delegacia ele deveria passar por um teste final: dormir uma noite na cela como se um preso fosse.

Sem pestanejar, ele concordou. Era a resposta que nós queríamos. Ali, o jovem começou a aprender mais sobre a vida real da Polícia Civil.

Desfeita a sacanice, rimos. Efetivado.

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